• Formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
  • Residência de Neurocirurgia na Santa Casa de Belo Horizonte.
  • Fellow em Radiocirurgia e Neurocirurgia Funcional pela Universidade da Califórnia Los Angeles (UCLA) EUA.
  • Neurocirurgião do Corpo clínico do Hospital Sirio Libanês e Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo
  • Autor do Neurosurgery Blog
  • Autor de 4 livros
  • Colaborador na criação de 11 aplicativos médicos.
  • Editor do Canal do YouTube NeurocirurgiaBR
  • Diretor de Tecnologia de Informação da Associação Paulista de Medicina (APM) 
  • Delegado da Associação Médica Brasileira (AMB)

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Nipah: entenda o que é o vírus com alto índice de mortalidade que causa novo surto na Índia. Dr. Julio Pereira – Neurocirurgião São Paulo – Neurocirurgião Beneficência Portuguesa

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O vírus Nipah é um patógeno zoonótico emergente de alta letalidade descoberto em 1999 que causa preocupação global por sua capacidade de provocar surtos com elevada mortalidade e potencial epidêmico, estando incluído na lista da Organização Mundial da Saúde (OMS) de patógenos prioritários que representam ameaça à saúde pública. Em janeiro de 2026, a Índia registrou um novo surto no estado de Bengala Ocidental, com confirmação oficial de dois casos entre profissionais de saúde que se infectaram no final de dezembro de 2025 e desenvolveram rapidamente complicações neurológicas graves, levando as autoridades a colocar 196 pessoas que tiveram contato com os infectados em quarentena e implementar medidas rigorosas de vigilância epidemiológica. Este é o sétimo surto de Nipah registrado na Índia e o terceiro no estado de Bengala Ocidental, após casos em 2001 e 2007, sendo que os locais afetados fazem fronteira com Bangladesh, país onde surtos do vírus ocorrem quase anualmente, particularmente no estado de Kerala, no sul da Índia, considerado uma das regiões de maior risco mundial para o vírus. O Ministério da Saúde indiano informou que todos os 196 contatos rastreados testaram negativo e permaneceram assintomáticos, afirmando que as medidas de vigilância ampliadas, testes laboratoriais e investigações de campo permitiram conter o número de casos em tempo hábil, embora países vizinhos como Tailândia, Nepal e Taiwan tenham reforçado medidas de triagem sanitária em aeroportos por precaução.​

O vírus Nipah pertence ao gênero Henipavirus e é transmitido aos humanos principalmente por morcegos frugívoros (raposas-voadoras) que são os hospedeiros naturais do patógeno, mas a transmissão também pode ocorrer através de animais intermediários como porcos, pelo consumo de alimentos contaminados com urina ou saliva de morcegos infectados (especialmente seiva de tamareiras) e pela transmissão direta de pessoa para pessoa através do contato próximo com secreções respiratórias ou fluidos corporais de pacientes infectados. A infecção por Nipah é extremamente agressiva do ponto de vista do sistema nervoso central, com sintomas iniciais inespecíficos que se assemelham aos de qualquer virose comum, incluindo febre, dor de cabeça intensa, mialgia (dores musculares), náuseas, vômitos e dor de garganta, mas que evoluem rapidamente em poucos dias para um quadro neurológico grave caracterizado por alteração do nível de consciência, tontura, sonolência, encefalite aguda (inflamação cerebral) e convulsões. Alguns pacientes também desenvolvem pneumonia atípica e complicações respiratórias severas, incluindo síndrome do desconforto respiratório agudo, e nos casos mais graves a progressão pode levar ao coma em um intervalo de apenas 24 a 48 horas após o início dos sintomas neurológicos. O período de incubação do vírus, que é o intervalo entre a infecção e o surgimento dos primeiros sintomas, é estimado entre 4 a 14 dias, mas já foram registrados períodos de incubação de até 45 dias em alguns casos.​

A taxa de mortalidade do vírus Nipah é alarmantemente alta, variando entre 40% e 75% dependendo das capacidades locais de detecção precoce, vigilância epidemiológica e manejo clínico dos pacientes, podendo chegar a até 70-75% em alguns surtos específicos registrados em Bangladesh, Índia, Malásia e Singapura. Até dezembro de 2025, foram confirmados 750 casos de infecção por Nipah em todo o mundo desde sua descoberta, resultando em 415 mortes, segundo a CEPI (Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias), que está financiando ativamente estudos clínicos de vacinas para ajudar a conter o vírus. O grande desafio no manejo da doença reside no fato de que atualmente não existem medicamentos antivirais específicos nem vacinas aprovadas para prevenir ou tratar a infecção por Nipah, sendo que a única opção disponível é o tratamento de suporte intensivo focado em controlar os sintomas, manter a hidratação, estabilizar a pressão arterial e tratar as complicações respiratórias e neurológicas graves conforme elas surgem. A infectologista Rosana Richtmann, do Grupo Santa Joana, destaca que “não existe nem vacina, nem tratamento específico – o tratamento que a gente oferece é de suporte, isto é, hidratação e manutenção da pressão, não existe nenhuma medicação específica”, o que torna o vírus extremamente perigoso e justifica sua classificação como patógeno prioritário pela OMS.​

O vírus Nipah ganhou notoriedade mundial por ter servido de inspiração para o filme “Contágio” de 2011, que retratava uma pandemia global causada por um vírus fictício com características semelhantes, incluindo alta letalidade, transmissão por morcegos e capacidade de provocar encefalite fatal. As autoridades sanitárias recomendam medidas preventivas rigorosas nas áreas de risco, incluindo evitar o consumo de frutas que possam ter sido contaminadas por morcegos, não consumir seiva fresca de tamareiras (bebida tradicional em algumas regiões da Ásia), evitar contato próximo com porcos doentes em áreas endêmicas, utilizar equipamentos de proteção individual ao cuidar de pacientes infectados e implementar medidas de isolamento rápido de casos suspeitos para prevenir transmissão pessoa-a-pessoa. A OMS classificou o risco atual de propagação do surto na Índia como baixo devido às medidas de contenção implementadas rapidamente pelas autoridades indianas, mas mantém vigilância constante devido ao potencial epidêmico do patógeno, especialmente considerando que Bangladesh, país fronteiriço, registra surtos quase anualmente e que a região de Kerala continua sendo considerada uma das áreas de maior risco mundial para emergência de novos casos.