• Formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
  • Residência de Neurocirurgia na Santa Casa de Belo Horizonte.
  • Fellow em Radiocirurgia e Neurocirurgia Funcional pela Universidade da Califórnia Los Angeles (UCLA) EUA.
  • Neurocirurgião do Corpo clínico do Hospital Sirio Libanês e Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo
  • Autor do Neurosurgery Blog
  • Autor de 4 livros
  • Colaborador na criação de 11 aplicativos médicos.
  • Editor do Canal do YouTube NeurocirurgiaBR
  • Diretor de Tecnologia de Informação da Associação Paulista de Medicina (APM) 
  • Delegado da Associação Médica Brasileira (AMB)

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Médico alerta para malefício de exames desnecessários – e qual mais PERIGO? COMO EVITAR? JULIO PEREIRA NEUROCIRURGIÃO

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A busca incessante por check-ups exaustivos e exames preventivos sem justificativa clínica real tem acendido um alerta na comunidade médica. O excesso de diagnósticos, conhecido como sobrediagnóstico, expõe o paciente a procedimentos desnecessários que trazem riscos diretos à saúde. O perigo mais evidente envolve a exposição cumulativa à radiação ionizante de exames como tomografias computadorizadas e radiografias, que, quando realizados sem critérios estritos, elevam o risco teórico de desenvolvimento de neoplasias a longo prazo, além do risco de reações alérgicas graves a contrastes iodados.

No entanto, o maior perigo dessa prática reside no chamado “efeito cascata” gerado por achados incidentais, popularmente conhecidos como incidentalomas. É extremamente comum que exames de alta sensibilidade encontrem pequenas alterações anatômicas — como cistos benignos, nódulos estáticos ou desvios na coluna — que nunca causariam sintomas ou ameaça à vida do paciente. A descoberta desses achados puramente casuais frequentemente desencadeia uma espiral de ansiedade psicológica crônica, consultas adicionais, biópsias invasivas e até mesmo cirurgias desnecessárias, submetendo o indivíduo a riscos cirúrgicos e infecções hospitalares por uma condição que deveria ter sido deixada em paz.

Para evitar cair na armadilha do sobretratamento, a principal estratégia é o resgate da relação de confiança entre médico e paciente, pautada nos princípios da Medicina Baseada em Evidências. O paciente deve ser incentivado a exercer um papel ativo nas decisões sobre sua saúde, questionando o profissional sobre a real necessidade de cada item solicitado. Adotar uma postura reflexiva e perguntar “Como o resultado deste exame mudará nossa conduta terapêutica?” ou “Quais são os riscos se optarmos por apenas monitorar os sintomas?” ajuda a filtrar investigações redundantes e garante que a tecnologia seja usada de forma inteligente e precisa.

Além do diálogo no consultório, a prevenção passa pela conscientização de que a ausência de sintomas em pessoas jovens e assintomáticas geralmente dispensa triagens complexas, salvo em casos de histórico familiar importante ou diretrizes de rastreamento consolidadas (como mamografias ou colonoscopias na idade correta). Programas globais de segurança do paciente, como a iniciativa Choosing Wisely (“Escolhendo Prudentemente”), orientam que exames devem ser solicitados para confirmar hipóteses diagnósticas e guiar tratamentos, e nunca como uma ferramenta de rotina para acalmar incertezas. Proteger a saúde, portanto, significa compreender que, na medicina moderna, o princípio de que “menos é mais” frequentemente salva vidas.