Câncer de Cólon: A Doença Silenciosa que Explode no Brasil, Alerta o INCA
O câncer de cólon (ou colorretal) está se tornando uma das maiores ameaças à saúde pública brasileira. Segundo as estimativas mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil projeta cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, com o tumor colorretal figurando entre os três mais frequentes, atrás apenas do câncer de pele não melanoma e dos tumores de mama e próstata. Em números específicos, espera-se algo próximo de 45 a 53 mil novos casos anuais de câncer colorretal nos próximos anos, com tendência clara de crescimento. Esse aumento reflete tanto o envelhecimento da população quanto mudanças drásticas no estilo de vida das últimas décadas.
Um dos aspectos mais preocupantes é o aumento acelerado entre adultos jovens (abaixo dos 50 anos), fenômeno observado tanto no Brasil quanto globalmente. O INCA já discute a possibilidade de ajustar as recomendações de rastreamento para idades mais precoces, pois fatores de risco tradicionais — como obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, carnes vermelhas e processadas, além de tabagismo — estão atingindo pessoas cada vez mais cedo. Esses hábitos, aliados a dietas pobres em fibras e ao uso crescente de dispositivos como vapes entre jovens, aceleram o processo de formação de pólipos e tumores malignos, transformando uma doença tipicamente associada à terceira idade em uma ameaça real para gerações mais novas.
Apesar de ser altamente prevenível e curável quando detectado cedo — com taxas de cura superiores a 80% em estágios iniciais —, o câncer colorretal ainda chega ao diagnóstico em fases avançadas em mais de 60% dos casos brasileiros. Isso ocorre devido à baixa adesão a exames preventivos, como a colonoscopia a partir dos 45-50 anos (ou antes em grupos de risco), e ao medo ou falta de acesso ao rastreamento no SUS. O resultado é maior mortalidade e tratamentos mais agressivos, onerosos e com sequelas significativas.
A boa notícia é que grande parte desse cenário pode ser revertida com ações simples e poderosas: adotar uma alimentação rica em frutas, vegetais e fibras, praticar atividade física regular, evitar o tabagismo e o excesso de álcool, além de realizar exames de rastreamento periódicos. O aumento alarmante apontado pelo INCA é um chamado urgente à ação — tanto individual quanto coletiva. Prevenir o câncer de cólon não é apenas possível: é uma das formas mais eficazes de salvar vidas e reduzir o impacto dessa doença no Brasil.